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A cidade de Santos possui o mais movimentado e importante porto do país. É por ali que se exporta quase tudo do Brasil atualmente. A malha ferroviária da Rumo, que passa por Itirapina (e mais umas dezenas de cidades), já transporta todos os dias, através de algumas dezenas de trens, milhares de toneladas de carga que sai do centro-oeste do país até o movimentado porto de Santos.

A Rumo, pretendendo abocanhar todo potencial de transporte de cargas das regiões, onde já atua, pretende renovar sua concessão, que expira no ano de 2027, para mais 30 anos. No entanto, os planos são de executar uma boa expansão de sua área de operação.

A EXPANSÃO DAS OPERAÇÕES

A Rumo ganhou a concessão, através de leilão, de um trecho ferroviário intitulado “Ferrovia Norte Sul” ofertado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A empresa deu um lance que superou em 100% o valor da concorrente, sendo, deste modo, vencedora do leilão.

O trecho da Ferrovia Norte-Sul, que possui mais de 1.573 quilômetros de extensão, liga as cidades de Porto Nacional, no Tocantins, até a cidade de Estrela D’Oeste, aqui, no Estado de São Paulo, interligando, então, à sua atual malha de operação ferroviária.

Em tese, com a interligação das malhas ferroviárias, toda a demanda de transportes de cargas, pelo modal ferroviário, poderia ser escoado pelo porto de Santos (mesmo que este não seja o plano principal).

RENOVAÇÃO DA CONCESSÃO DA MALHA PAULISTA

O contrato de concessão atual, da malha ferroviária paulista, vai até 2027, entretanto, a Rumo pretende renová-la antes do prazo. A empresa se compromete a realizar vários investimentos para conseguir adiantar o contrato da nova concessão, assim, operando nelas por mais 30 anos.

Poucos foram os empecilhos para a renovação até agora. Sendo elas que a Rumo se comprometa a aumentar os valores investidos e, também, inclua uma linha de transporte de passageiros das cidades de São Paulo, passando por Campinas, até a cidade de Americana (imposição feita pelo Governo Federal).

A expansão, através da Ferrovia Norte-Sul, faz com que fique ainda mais atrativa a renovação da malha paulista de ferrovias. Todo o escoamento desta nova malha ferroviária da Rumo poderia ter passagem pela malha paulista para que as cargas cheguem até o porto de Santos. Mas, esse não é o único atrativo para esta concessão.

DE PANORAMA ATÉ BAURU

A Rumo resolveu reativar e dar manutenção a um trecho de ferrovias, de mais de 350 quilômetros de extensão, para recolocá-lo em funcionamento.

Esse trecho interliga as cidades de Panorama à Bauru e estavam sem uso há mais de 10 anos. Mas, parece que, agora, se tornaram atraentes novamente para a expansão dos negócios.

O projeto prevê a reconstrução de trechos da ferrovia implantados há mais de 50 anos e as obras devem proporcionar também aumento da capacidade da linha tronco da via, utilizada no transporte de cargas até o Porto de Santos. “Ele funcionará como a principal porta de entrada e saída de mercadorias do país, beneficiando os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, principalmente, São Paulo”, explica a Rumo.

Se realmente conseguir antecipar a concessão, a empresa fará investimentos na ordem de R$ 6 bilhões para a melhorar a malha paulista, além de viabilizar a reativação deste trecho.

Ou seja, mais cargas deverão ser transportadas para o porto de Santos.

ITIRAPINA NO CENTRO DE TUDO

Acima, temos a dimensão de como ficará o trecho operado pela Rumo através do transporte de cargas por trens no Estado de São Paulo. O mais interessante é que Itirapina continuará no entroncamento de onde as cargas passam.

Ou seja, com a reativação do trecho que se estende de Bauru à Panorama, devemos esperar um movimento, de trens, maior ou próximo ao que já vemos com o trecho que se estende à Araraquara e às outras cidades que seguem depois dela.

Itirapina, novamente, deverá ficar no protagonismo do movimento de trens de cargas do Estado de São Paulo. Ou seja, se a linha que se estende para mais de Araraquara já incomoda os cidadãos, pela movimentada quantidade de composições que cortam a cidade, devemos esperar um movimento grande, agora, vindo da linha que se segue para Bauru.

Alguns bairros de Itirapina deverão ficar sitiados com o tempo por causa do transporte ferroviário.

PLANEJAMENTO DA CIDADE

Já está em andamento o plano de criação e construção de um anel viário para interligar os bairros, entretanto, agora é o Centro da cidade que corre o risco de ficar isolado.

Agora se faz necessário que a Administração Pública Municipal pense numa forma de contornar os futuros problemas advindos do aumento do fluxo de composições de cargas que deverão atravessar a cidade com essa expansão.

Isto deixou de ser apenas uma suposição de um possível problema futuro e se transformou em um problema real que a cidade terá de enfrentar. Se, no momento, o atual fluxo de trens já incomoda os moradores, há de se esperar que piorará gradativamente com a expansão que a Rumo pretende executar em suas operações.

Enquanto isso, há de se pensar em quais são as saídas para os problemas que se seguirão e fazer com que os cidadãos cobrem de seus políticos, para que realizem estudos de como isto impactará a cidade neste futuro próximo.