Ford fechou uma fábrica hoje, a GM ameaça fechar outras, mas… e a Honda?


Ford fecha fábrica em São Bernardo do Campo.
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A Ford anunciou o fechamento de sua fábrica de automóveis em São Bernardo do Campo (SP) e a GM considera e ameaça, há algum tempo, também fechar unidades. Mas o que isto significa?

FORD

Caiu como uma bomba o fechamento da fábrica de São Bernardo, no ABC paulista. Todos esperavam que em algum momento isso pudesse ocorrer, mas ninguém esperava que acontecesse neste momento.

A Ford, em si, culpou o prejuízo e a insegurança jurídica enfrentada no Brasil pelo fechamento da unidade. Em 2018, a montadora teve prejuízo de US$ 678 milhões em toda a América do Sul, mas o fechamento, segunda a empresa, faz parte de um plano de reestruturação global da marca.

Nesta unidade eram fabricados o Fiesta Hatch e os caminhões Ford, sendo que outros modelos da marca vendidos por aqui eram importados. Nesta decisão, a Ford anunciou, também, que vai deixar o mercado de caminhões na continente sul-americano. Não é a toa, pois sua fábrica exportava caminhões para os países vizinhos, mas outro entrave era a indefinição de regras sobre as questões de caminhões para o programa brasileiro de controle de poluentes.

Como na unidade de São Bernardo do Campo trabalhavam em torno de 2800 funcionários, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com a decisão da Ford, o fechamento pode afetar indiretamente em torno de 2000 famílias na própria cidade, segundo a prefeitura.

GM

A GM é outra empresa que pode tomar uma atitude parecida com a da Ford.

Recentemente, o presidente da General Motors Mercosul afirmou em email aos funcionários da empresa, que se um acordo de redução de custos não fosse aprovado, a empresa poderia deixar o mercado sul-americano, mesmo tendo fábricas no Brasil e Argentina. Isso significaria o fechamento de várias fábricas e uma demissão em massa, já que, segundo a empresa, não poderia continuar operando  com prejuízo.

Entretanto, especula-se que a afirmação fosse um blefe para conseguir novos investimentos. Entretanto, a empresa já tinha planos de fechar outras fábricas mundo afora e parece que está disposta a cumprir com suas ameaças de demissões e fechamento de unidades de produção de automóveis.

Por um momento, ao menos, com relação à GM, o Brasil pode respirar um pouco mais.

HONDA

A Honda também anunciou o fechamento de uma importante fábrica de automóveis esta semana.

A planta de produção de automóveis do Reino Unido deverá ter suas operações encerradas em 2021. Pesou para a marca as indefinições do “brexit”, que trata sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. O problema é que esta fábrica exporta para toda a Europa, o que viria a ser um problema se o brexit se confirmar.

No Brasil, a marca também teve de mudar peças no quebra-cabeça para manter produtivas suas fábricas que já estão em operação e evitar a demissão de pessoal.

Aqui, para a marca se adaptar às demandas do mercado, a Honda anunciou que encerraria a fabricação de automóveis em Sumaré enquanto transferia a produção para Itirapina. Mas muito provavelmente, mesmo que não expostas, houveram outras questões que pesaram para isto.

OUTRAS QUESTÕES

A revista Auto Esporte publicou algumas questões que estão levando as fabricantes a fecharem várias de suas fábricas pelo mundo e ela apontou algumas como as principais responsáveis.

Dentre elas, a modernização de antigas fábricas muitas vezes não vale o investimento, saindo mais barato construir uma fábrica nova e mais enxuta. Talvez não seja tão fácil adaptar uma fábrica construída nas décadas anteriores, preparadas para técnicas diferentes de produção, e transformá-las em linhas mais atuais, eficazes e tecnológicas. Talvez nem comportem tais mudanças.

Vale ressaltar que muitas unidades, como a de São Bernardo do Campo, podem estar funcionando apenas por questões políticas, mas estão esvaziadas e, em grande parte, ociosas. E este é outro motivo: a ociosidade.

Uma fábrica ociosa pode gerar muito prejuízo enquanto está funcionando abaixo de sua capacidade. E só funciona abaixo de sua capacidade por causa da baixa demanda de seus produtos. Logo, as montadoras transferem a produção para outras unidades para economizar dinheiro e reduzir seus prejuízos.

A inovação tecnológica é outra questão que tem tido um grande peso sobre as marcas para elas decidam sobre novos investimentos.

As marcas tem procurado investir mais nas últimas tecnologias que estão sendo desenvolvidas. Estamos falando das tecnologias de automação dos carros, por também serem considerados mais seguros, em carros elétricos, que tem aumentado a autonomia nos últimos anos, além de outras tecnologias, como conectividade, que permitem computadores de bordo mais inteligentes e conectados à Internet.

Logo, as mudanças no cenário global para as marcas já eram aguardadas e podem ser, realmente, mais duras para os trabalhadores, mas também prometem outra visão de como os automóveis devem funcionar no futuro.

[Fontes linkadas nos textos e imagem de EsquerdaDiário]